MAÇONARIA CELEBRA INICIAÇÃO DE PADRE SERGIPANO
Da Redação
A recente iniciação do padre Gilvan José de
Carvalho na Maçonaria provocou repercussão tanto nos meios maçônicos quanto na
Igreja Católica. O sacerdote, pertencente à Arquidiocese de Aracaju, em
Sergipe, foi recebido oficialmente na ordem maçônica durante uma Sessão Magna
de Iniciação realizada em 12 de maio, fato amplamente divulgado pelo Grande
Oriente do Brasil (GOB).
Em sua publicação oficial, o GOB classificou o
evento como um momento "histórico e simbólico", destacando que Gilvan
José de Carvalho é sacerdote da Igreja Católica Apostólica Romana. A
instituição maçônica ressaltou que a iniciação foi considerada um marco de
relevância institucional e histórica, sendo associada a figuras do passado que
exerceram atividades religiosas e tiveram vínculos com a Maçonaria ou
participaram de debates filosóficos e sociais importantes para a sociedade
brasileira.
Entre os nomes citados pelo GOB estão frei
Caneca, dom José Joaquim Azeredo Coutinho, padre Joaquim Almeida, frei Sampaio
e frei Montalverne. Segundo a entidade, a presença de um sacerdote em seus
quadros representa uma reafirmação da Maçonaria como uma organização
filosófica, fraterna e aberta ao diálogo entre diferentes crenças e visões de
mundo.
Entretanto, a Arquidiocese de Aracaju
apresentou uma versão diferente quanto à situação atual do sacerdote. Em nota
oficial, informou que o padre Gilvan encontra-se afastado das atividades
ministeriais para tratamento psicológico e que, atualmente, não exerce funções
pastorais em paróquias ou instituições arquidiocesanas. A própria página da
Arquidiocese dedicada ao clero registra que o sacerdote está afastado para
cuidar da saúde mental.
A autoridade eclesiástica também declarou que
irá apurar os fatos para avaliar a adoção das medidas canônicas cabíveis. A
posição da Igreja Católica sobre a participação de fiéis e, especialmente, de
membros do clero na Maçonaria é historicamente conhecida e permanece
inalterada.
A incompatibilidade entre a Igreja Católica e a
Maçonaria remonta ao século XVIII. Em 1738, o papa Clemente XII promulgou uma
bula condenando formalmente a participação de católicos em organizações
maçônicas. Ao longo dos séculos, diversos documentos da Santa Sé reafirmaram
essa incompatibilidade, argumentando que princípios fundamentais da Maçonaria
não podem ser conciliados com a doutrina católica.
Mais recentemente, a Congregação para a
Doutrina da Fé, hoje denominada Dicastério para a Doutrina da Fé, reiterou que
a filiação à Maçonaria permanece incompatível com a fé católica,
independentemente das características específicas das obediências maçônicas
existentes em diferentes países.
O episódio envolvendo o padre Gilvan reacende um debate histórico sobre as relações entre a Igreja Católica e a Maçonaria, tema que há séculos desperta discussões teológicas, filosóficas e institucionais. Enquanto a Maçonaria vê a iniciação como um símbolo de diálogo e aproximação, a Igreja mantém sua posição tradicional de incompatibilidade doutrinária, o que poderá resultar em consequências canônicas para o sacerdote após a conclusão das investigações anunciadas pela Arquidiocese de Aracaju.
O texto foi baseado em matéria publicada por
Natalia Zimbrão no site https://www.acidigital.com/
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