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207 - MAÇONARIA, LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA E CULTURA DA PAZ

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  Por Adauto Paranhos Os acontecimentos que marcaram o cenário internacional nos últimos anos, especialmente após os ataques terroristas de 7 de outubro de 2023 em Israel, evidenciaram como conflitos geopolíticos podem ultrapassar fronteiras e alimentar o crescimento do extremismo, da intolerância religiosa, do antissemitismo, da islamofobia e de diversas formas de radicalização. Mesmo países distantes dos campos de batalha passaram a sentir os reflexos desse ambiente de polarização. Redes sociais transformaram-se em espaços de propagação do ódio, discursos extremistas ganharam visibilidade e antigas divisões religiosas, étnicas e ideológicas voltaram a ocupar o centro do debate público. Diante desse cenário, torna-se oportuno refletir sobre a contribuição que a Maçonaria pode oferecer à sociedade brasileira na defesa da paz, da liberdade de consciência e da convivência fraterna. A Maçonaria diante dos desafios do século XXI Desde suas origens, a Maçonaria não foi conce...

207 - A TOLERÂNCIA E SEUS LIMITES NA VIDA CONTEMPORÂNEA

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  Da Redação A Maçonaria, frequentemente descrita como uma ordem iniciática, tradicional e universal fundada na fraternidade, não se apresenta como uma escola, uma filosofia fechada ou um dogma. Ela se define mais como um caminho de formação interior e um método de aperfeiçoamento humano. Nesse sentido, sua proposta não é oferecer verdades prontas, mas incentivar um processo contínuo de transformação pessoal e consciência ética diante do mundo. O caminho da formação humana Como caminho, essa visão busca auxiliar o indivíduo a tornar-se aquilo que ele é potencialmente capaz de ser. O ser humano não é entendido como algo fixo, mas como um projeto em constante construção, moldado pelas escolhas, experiências e responsabilidades assumidas ao longo da vida. Como método, essa perspectiva propõe uma abertura à superação de si mesmo, conduzindo o indivíduo à percepção de sua ligação com a humanidade em sua diversidade. O encontro com o outro — com suas diferenças, culturas e visõ...

207 - O CASO DA ILHA DO CAIXÃO

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  Por Luís A. Otero-González A maioria dos maçons hoje considera como garantida a liberdade de frequentar suas respectivas lojas à noite, sabendo que podem se reunir em paz e trabalhar no polimento de suas pedras brutas. Infelizmente, esse não era o caso para muitos maçons do século XIX, particularmente aqueles que viviam em países onde a Fraternidade era acusada de ameaçar o governo ou a ordem social. Isso forçou maçons em muitas jurisdições da América Latina a trabalhar na escuridão. Uma dessas circunstâncias ocorreu com a Loja Aurora n deg 7, no município de Ponce, Porto Rico, quando a ilha era colônia da Espanha. O governo monárquico se opunha à reunião pacífica de cidadãos das lojas sob a jurisdição da Grande Loja de Porto Rico. Naquela época, as lojas afiliadas à Grande Loja de Porto Rico eram acusadas de serem subversivas e revolucionárias, já que a Grande Loja era filiada à Grande Loja de Cuba, que era considerada separatista. Isso obrigou os membros da Loja Aurora a se...

207 - O PENSAMENTO DE SANTO AGOSTINHO E A LIÇÃO PARA A MAÇONARIA

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  Da Redação Poucos pensadores exerceram tanta influência sobre a filosofia e a teologia cristãs quanto Santo Agostinho, bispo de Hipona (354–430 d.C.). Autor de mais de uma centena de obras, ele permanece atual graças a clássicos como Confissões e A Cidade de Deus , textos que continuam sendo estudados nas universidades e debatidos por estudiosos de diversas áreas. Além de sua importância para o pensamento cristão, Agostinho oferece reflexões que dialogam profundamente com a filosofia maçônica, especialmente quando trata da relação entre os símbolos exteriores e a transformação interior do ser humano. Um mestre da interioridade Em Confissões , Agostinho narra sua juventude marcada por excessos, sua passagem pelo maniqueísmo e sua longa busca pela verdade até sua conversão ao Cristianismo. Essa jornada revela um homem que compreendeu que o verdadeiro conhecimento não nasce apenas da observação do mundo exterior, mas principalmente do aperfeiçoamento da alma. Essa mesma b...

207 - O APRENDIZ E OS PEDREIROS DO TEMPO

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  *Por Gregório José* Conta-se que certa vez ingressou em uma Loja um jovem Aprendiz. Era inteligente, estudado e possuía uma eloquência admirável. No mundo profano, sua profissão lhe conferia respeito e prestígio. Acostumado a defender causas e a sustentar argumentos diante de homens importantes, acreditava compreender bem a natureza humana. Nas primeiras sessões, porém, algo lhe chamava a atenção. Observava os Irmãos mais antigos. Alguns contavam cinco anos de Ordem; outros, dez, vinte, trinta ou até mais. Via-os levantar-se lentamente de seus assentos. Caminhavam pelo Templo com passos calmos, quase como se deslizassem sobre o piso mosaico. Cumpriam seus deveres sem pressa, atentos a cada detalhe. Muitos já eram aposentados. Alguns chegavam acompanhados por Irmãos mais jovens, que lhes ofereciam carona. Outros necessitavam de auxílio para subir os degraus do Templo. O Aprendiz observava tudo aquilo e não compreendia. — Por que ainda vêm à Loja? — comentava em voz b...

207 - O SIMBOLISMO DO INCENSO NOS RITUAIS

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  Memória, Espiritualidade e Percepção Sensorial Da Redação Dentro do Templo maçônico, além das tradicionais decorações simbólicas representadas no quadro de Loja correspondente a cada grau, existiam também outros elementos ritualísticos que, com o passar do tempo, caíram em desuso. Entre eles estavam as fumigações, práticas que antigamente faziam parte dos trabalhos cerimoniais. O uso de velas e, principalmente, da fumaça produzida pelo incenso pode causar surpresa, pois esses elementos remetem imediatamente às celebrações religiosas. Entretanto, o emprego do incenso possui uma história muito mais antiga, atravessando diferentes culturas, tradições espirituais e sistemas simbólicos. Na tradição cristã, por exemplo, a utilização litúrgica do incenso só foi incorporada pela Igreja a partir do século IV. Nos primeiros tempos do cristianismo, seu uso era evitado porque estava associado aos cultos pagãos do mundo romano. Muitos cristãos perseguidos eram pressionados a abandonar s...

207 - LETÉ E MNEMOSINE, ELOGIO DO ESQUECIMENTO

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por Paolo Maggi Jorge Luis Borges, em 1942, escreve o conto Funes, o memorioso . Trata-se da história de um homem que, após um traumatismo craniano, desenvolve a capacidade de se lembrar de tudo o que vê e lhe acontece: cada palavra que lê, cada folha de cada árvore e cada nuvem que já viu em sua vida, em suas inúmeras formas. À primeira vista, pareceria ter recebido um dom maravilhoso. No entanto, Funes, com sua memória total, era praticamente um imbecil. Sua mente, entulhada de dados, era incapaz de desenvolver qualquer ideia superior. Seu mundo era feito de detalhes inumeráveis e totalmente inúteis. Penso que Borges se inspirou na Segunda consideração intempestiva , de Nietzsche, que escreve: “Imaginai o caso extremo de um homem que não possuísse de modo algum a força de esquecer, que fosse condenado a ver em toda parte um devir: um homem assim não acreditaria mais no seu próprio ser, não acreditaria mais em si, veria todas as coisas fluindo umas das outras em pontos móveis e se...