Postagens

Postagem em destaque

207 - A TOLERÂNCIA E SEUS LIMITES NA VIDA CONTEMPORÂNEA

Imagem
  Da Redação A Maçonaria, frequentemente descrita como uma ordem iniciática, tradicional e universal fundada na fraternidade, não se apresenta como uma escola, uma filosofia fechada ou um dogma. Ela se define mais como um caminho de formação interior e um método de aperfeiçoamento humano. Nesse sentido, sua proposta não é oferecer verdades prontas, mas incentivar um processo contínuo de transformação pessoal e consciência ética diante do mundo. O caminho da formação humana Como caminho, essa visão busca auxiliar o indivíduo a tornar-se aquilo que ele é potencialmente capaz de ser. O ser humano não é entendido como algo fixo, mas como um projeto em constante construção, moldado pelas escolhas, experiências e responsabilidades assumidas ao longo da vida. Como método, essa perspectiva propõe uma abertura à superação de si mesmo, conduzindo o indivíduo à percepção de sua ligação com a humanidade em sua diversidade. O encontro com o outro — com suas diferenças, culturas e visõ...

207 - O CASO DA ILHA DO CAIXÃO

Imagem
  Por Luís A. Otero-González A maioria dos maçons hoje considera como garantida a liberdade de frequentar suas respectivas lojas à noite, sabendo que podem se reunir em paz e trabalhar no polimento de suas pedras brutas. Infelizmente, esse não era o caso para muitos maçons do século XIX, particularmente aqueles que viviam em países onde a Fraternidade era acusada de ameaçar o governo ou a ordem social. Isso forçou maçons em muitas jurisdições da América Latina a trabalhar na escuridão. Uma dessas circunstâncias ocorreu com a Loja Aurora n deg 7, no município de Ponce, Porto Rico, quando a ilha era colônia da Espanha. O governo monárquico se opunha à reunião pacífica de cidadãos das lojas sob a jurisdição da Grande Loja de Porto Rico. Naquela época, as lojas afiliadas à Grande Loja de Porto Rico eram acusadas de serem subversivas e revolucionárias, já que a Grande Loja era filiada à Grande Loja de Cuba, que era considerada separatista. Isso obrigou os membros da Loja Aurora a se...

207 - O PENSAMENTO DE SANTO AGOSTINHO E A LIÇÃO PARA A MAÇONARIA

Imagem
  Da Redação Poucos pensadores exerceram tanta influência sobre a filosofia e a teologia cristãs quanto Santo Agostinho, bispo de Hipona (354–430 d.C.). Autor de mais de uma centena de obras, ele permanece atual graças a clássicos como Confissões e A Cidade de Deus , textos que continuam sendo estudados nas universidades e debatidos por estudiosos de diversas áreas. Além de sua importância para o pensamento cristão, Agostinho oferece reflexões que dialogam profundamente com a filosofia maçônica, especialmente quando trata da relação entre os símbolos exteriores e a transformação interior do ser humano. Um mestre da interioridade Em Confissões , Agostinho narra sua juventude marcada por excessos, sua passagem pelo maniqueísmo e sua longa busca pela verdade até sua conversão ao Cristianismo. Essa jornada revela um homem que compreendeu que o verdadeiro conhecimento não nasce apenas da observação do mundo exterior, mas principalmente do aperfeiçoamento da alma. Essa mesma b...

207 - O APRENDIZ E OS PEDREIROS DO TEMPO

Imagem
  *Por Gregório José* Conta-se que certa vez ingressou em uma Loja um jovem Aprendiz. Era inteligente, estudado e possuía uma eloquência admirável. No mundo profano, sua profissão lhe conferia respeito e prestígio. Acostumado a defender causas e a sustentar argumentos diante de homens importantes, acreditava compreender bem a natureza humana. Nas primeiras sessões, porém, algo lhe chamava a atenção. Observava os Irmãos mais antigos. Alguns contavam cinco anos de Ordem; outros, dez, vinte, trinta ou até mais. Via-os levantar-se lentamente de seus assentos. Caminhavam pelo Templo com passos calmos, quase como se deslizassem sobre o piso mosaico. Cumpriam seus deveres sem pressa, atentos a cada detalhe. Muitos já eram aposentados. Alguns chegavam acompanhados por Irmãos mais jovens, que lhes ofereciam carona. Outros necessitavam de auxílio para subir os degraus do Templo. O Aprendiz observava tudo aquilo e não compreendia. — Por que ainda vêm à Loja? — comentava em voz b...

207 - O SIMBOLISMO DO INCENSO NOS RITUAIS

Imagem
  Memória, Espiritualidade e Percepção Sensorial Da Redação Dentro do Templo maçônico, além das tradicionais decorações simbólicas representadas no quadro de Loja correspondente a cada grau, existiam também outros elementos ritualísticos que, com o passar do tempo, caíram em desuso. Entre eles estavam as fumigações, práticas que antigamente faziam parte dos trabalhos cerimoniais. O uso de velas e, principalmente, da fumaça produzida pelo incenso pode causar surpresa, pois esses elementos remetem imediatamente às celebrações religiosas. Entretanto, o emprego do incenso possui uma história muito mais antiga, atravessando diferentes culturas, tradições espirituais e sistemas simbólicos. Na tradição cristã, por exemplo, a utilização litúrgica do incenso só foi incorporada pela Igreja a partir do século IV. Nos primeiros tempos do cristianismo, seu uso era evitado porque estava associado aos cultos pagãos do mundo romano. Muitos cristãos perseguidos eram pressionados a abandonar s...

207 - LETÉ E MNEMOSINE, ELOGIO DO ESQUECIMENTO

Imagem
por Paolo Maggi Jorge Luis Borges, em 1942, escreve o conto Funes, o memorioso . Trata-se da história de um homem que, após um traumatismo craniano, desenvolve a capacidade de se lembrar de tudo o que vê e lhe acontece: cada palavra que lê, cada folha de cada árvore e cada nuvem que já viu em sua vida, em suas inúmeras formas. À primeira vista, pareceria ter recebido um dom maravilhoso. No entanto, Funes, com sua memória total, era praticamente um imbecil. Sua mente, entulhada de dados, era incapaz de desenvolver qualquer ideia superior. Seu mundo era feito de detalhes inumeráveis e totalmente inúteis. Penso que Borges se inspirou na Segunda consideração intempestiva , de Nietzsche, que escreve: “Imaginai o caso extremo de um homem que não possuísse de modo algum a força de esquecer, que fosse condenado a ver em toda parte um devir: um homem assim não acreditaria mais no seu próprio ser, não acreditaria mais em si, veria todas as coisas fluindo umas das outras em pontos móveis e se...

207 - UMA SOCIEDADE SEM MEMÓRIA NÃO CONSTRÓI FUTURO

Imagem
  Da Redação Uma sociedade que perde sua memória corre o risco de perder também sua identidade e sua capacidade de projetar o futuro. Vivemos um tempo marcado pela tentativa constante de romper com o passado, substituindo raízes históricas por um presente permanente, superficial e sem referências. A valorização excessiva do “novo” fez com que muitos deixassem de reconhecer a importância dos mestres, das experiências acumuladas e da transmissão de conhecimentos entre gerações. Ao mesmo tempo, enfraqueceu-se a disposição de deixar um legado aos mais jovens. O resultado é uma ruptura silenciosa no ciclo natural de aprendizado, onde o passado deixa de orientar o presente e o futuro perde suas bases. Essa crise de memória afeta diferentes áreas da sociedade: a política, a educação, as universidades e a cultura. Perdemos o interesse pelos caminhos percorridos antes de nós e, com isso, enfraquecemos a capacidade de compreender quem somos. A cultura, esse fio invisível que conecta ge...

207 - DE HIRAM A YESHOUAH: A Passagem Simbólica Do Templo De Pedra Para O Templo Interior

Imagem
  A tradição iniciática sempre encontrou na imagem do Templo um dos seus símbolos mais profundos. Mais do que uma construção feita por mãos humanas, o Templo representa uma jornada interior: a transformação do próprio ser humano em uma obra em construção. É nessa perspectiva que o artigo “De Hiram à Yeshouah ou du Temple de Pierre au Temple du corps”, publicado pelo portal 450.fm e escrito por Marie Delclos, estabelece uma reflexão sobre a passagem do Templo material para o templo espiritual, relacionando duas figuras simbólicas fundamentais: Hiram e Yeshouah (Jesus). Na tradição maçônica, Hiram aparece como o grande arquiteto ligado à construção do Templo de Salomão. O mito de Hiram Abiff representa o mestre construtor que guarda um conhecimento que não pode ser entregue antes do tempo. Segundo o simbolismo ritual, ele é assassinado por três companheiros que tentam obter aquilo para o qual ainda não estavam preparados. Sua morte, entretanto, não representa apenas uma tragédia ...