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208 - APRENDER A ESPERAR UMA VIRTUDE MAÇÔNICA

CLIQUE NO PLAYER PARA OUVIR O ARTIGO   Por Irmão Dario Angelo Baggieri A paciência não nasce pronta; ela é lapidada pelo tempo e pelas circunstâncias. Esperar com serenidade é uma das maiores demonstrações de força interior. Quem tudo deseja para o instante presente perde a beleza do processo. O tempo amadurece os frutos que a pressa insiste em colher verdes. Cada espera bem vivida ensina uma lição que nenhum livro consegue transmitir. A serenidade transforma a ansiedade em confiança e o medo em esperança. O sábio compreende que nem tudo depende de sua vontade, mas de seu preparo. Esperar não é permanecer inerte, e sim caminhar sem inquietação na alma. Há portas que só se abrem quando estamos prontos para atravessá-las. A impaciência desgasta o espírito; a calma o fortalece. Quem aprende a esperar, conquista o domínio sobre si mesmo. É nesse silêncio confiante que a vida revela seus maiores ensinamentos. A verdadeira vitória pertence àqueles que unem perseverança e equi...

208 - O SAGRADO CORAÇÃO E O TEMPLO INTERIOR: UMA LEITURA MAÇÔNICA DO CENTRO DIVINO

CLIQUE NO PLAYER PARA OUVIR O ARTIGO Da Redação "O Divino Coração foi-me apresentado sobre um trono de chamas, mais resplandecente que o sol, transparente como cristal, com esta adorável ferida." – Santa Margarida Maria Alacoque, 1674 Entre os grandes símbolos espirituais da humanidade, poucos possuem uma força tão universal quanto o coração. Para além de sua dimensão religiosa ou sentimental, o coração representa, em diversas tradições iniciáticas, o ponto central do ser humano, o lugar simbólico onde o homem encontra a si mesmo e estabelece uma relação com o Princípio Criador. A visão do Sagrado Coração de Jesus revelada a Santa Margarida Maria Alacoque, no século XVII, pode ser compreendida, sob uma perspectiva simbólica, como a manifestação de um antigo arquétipo espiritual: o coração como Centro, como templo interior e como morada da Luz Divina. Essa interpretação aproxima-se de muitos princípios presentes na tradição maçônica, especialmente aqueles relacionado...

208 - O TEMPO NA MAÇONARIA: UMA LIÇÃO QUE VAI ALÉM DO RELÓGIO

CLIQUE NO PLAYER PARA OUVIR O ARTIGO Da Redação Na vida cotidiana, o tempo é medido por relógios e calendários. Na Maçonaria, porém, ele possui um significado muito mais profundo. Mais do que marcar horas, o tempo simboliza a própria existência humana e lembra que cada instante deve ser empregado no aperfeiçoamento moral, no trabalho e na prática da fraternidade. Essa reflexão acompanha o maçom desde sua iniciação. Um dos primeiros ensinamentos recebidos é inspirado na régua de vinte e quatro polegadas, que representa as vinte e quatro horas do dia. A tradição recomenda que esse tempo seja dividido em três partes iguais: oito horas dedicadas ao serviço de Deus e ao auxílio ao próximo, oito horas ao trabalho e oito horas ao descanso. A mensagem é clara: viver com equilíbrio é uma das bases da filosofia maçônica. O simbolismo do tempo também está presente na própria organização das Lojas. Os principais oficiais exercem funções associadas aos diferentes momentos do dia, representan...

208 - O CATECISMO DO REI HENRIQUE VI: UM ANTIGO RETRATO DA FILOSOFIA MAÇÔNICA

CLIQUE NO PLAYER PARA OUVIR O ARTIGO Da Redação Entre os documentos históricos ligados à Maçonaria, poucos despertam tanta curiosidade quanto o chamado Catecismo do Rei Henrique VI. Cercado por debates sobre sua autenticidade, esse texto tornou-se uma das mais conhecidas referências da literatura maçônica por apresentar, em forma de perguntas e respostas, uma visão abrangente da Ordem, de seus objetivos e de seus ensinamentos. Segundo a tradição, o manuscrito teria sido copiado pelo antiquário inglês John Leland, a pedido do rei Henrique VIII, durante a preservação de livros e documentos dos mosteiros ingleses no século XVI. O texto seria atribuído ao rei Henrique VI e, mais tarde, teria sido divulgado em publicações maçônicas, chegando a ser associado ao filósofo John Locke. Embora historiadores discutam sua origem, seu conteúdo permanece como uma importante fonte de reflexão sobre os ideais maçônicos. A Maçonaria como conhecimento universal Logo na primeira resposta, o catec...

208 - JEAN-PAUL SARTRE E A MAÇONARIA: POR QUE O FILÓSOFO EXISTENCIALISTA DIFICILMENTE ENCONTRARIA SEU LUGAR NA ORDEM

A relação entre grandes pensadores e a Maçonaria sempre desperta curiosidade. Entre esses nomes, Jean-Paul Sartre ocupa uma posição singular. Embora nunca tenha sido reconhecido como maçom, sua filosofia levanta uma questão interessante: seria possível conciliar o existencialismo sartriano com os princípios da Maçonaria? A resposta não é simples. Existem pontos de aproximação, mas também diferenças profundas que tornam essa compatibilidade bastante improvável. Essa é a reflexão desenvolvida em um recente estudo publicado pelo jornal francês 450.fm   A liberdade como fundamento da existência Jean-Paul Sartre construiu sua filosofia sobre uma ideia central: o ser humano nasce completamente livre e é responsável por todas as suas escolhas. Em sua obra mais conhecida, O Ser e o Nada, defende que o homem não possui uma essência predeterminada. Ele se define exclusivamente por seus atos. Essa concepção elimina qualquer estrutura superior que determine o destino humano. Não exist...

208 - BOCAGE E A MAÇONARIA: O POETA ILUMINISTA QUE DESAFIOU AS SOMBRAS DA INTOLERÂNCIA

CLIQUE NO PLAYER PARA OUVIR O ARTIGO Da Redação A figura de Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805) permanece entre as mais fascinantes da literatura portuguesa. Durante muito tempo, sua imagem pública foi reduzida à de um poeta satírico, irreverente e boêmio, autor de versos licenciosos e anedotas populares. Entretanto, pesquisas históricas mais recentes revelam uma dimensão muito mais profunda de sua personalidade: a de um intelectual comprometido com os ideais do Iluminismo e ligado à Maçonaria portuguesa em um dos períodos mais turbulentos da história de Portugal. Essa faceta ganha novo destaque na obra Bocage – arauto do Iluminismo – o "Irmão Lucrécio" da Loja Fortaleza e a aurora das Luzes em Portugal , publicada em 2026 pelo jornalista e historiador Jorge Morais. O estudo procura reconstruir, com base nas poucas evidências documentais disponíveis, o percurso maçônico do poeta e sua contribuição para a difusão das ideias iluministas. A difícil reconstrução da t...

208 - ESCOLAS FILOSÓFICAS E INFLUÊNCIAS NA MAÇONARIA: O PITAGORISMO (1)

CLIQUE NO PLAYER PARA OUVIR O ARTIGO Por Irmão José Ronaldo Viega Alves - Oriente de Santana do Livramento – RS. “Confessaremos o paradoxo: a escola pitagórica foi, para o mundo ocidental, o primeiro modelo de uma sociedade secreta e, pois, fechada em suas particularidades - a franco-maçonaria emprestará dela inúmeros símbolos essenciais - e, ao mesmo tempo, o primeiro modelo de uma sociedade aberta ao universal por seu papel político e pela importância atribuída à filosofia. Como vimos, é a Pitágoras que devemos o próprio termo ‘philósophos’ para designar o homem que, sem partilhar a sabedoria dos deuses nem querendo desafiá-los, põe-se em busca de uma sabedoria propriamente humana; é ainda a ele, ou ao pitagorismo, que devemos o ideal deste conhecimento demonstrativo, desvinculado de toda crença religiosa, mística ou ideológica, que o Ocidente chama de ‘ciência’ e da qual ele extrai a legitimidade de sua ética teórica bem como de sua ética prática. O pitagorismo está pois na encru...