Em tempos de novas semeaduras


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Antônio do Carmo Ferreira

Junquero tratava de poesia. Eu, de educação. Guerra Junqueiro, no prefácio de uma das muitas edições de sua Velhice do Padre Eterno, dizia que:

“Feita a colheita, arroteia-se o terreno e semeia-se de novo.”

O terreno precisa ser preparado... Outras sementes deverão ser selecionadas em adequação às exigências do terreno, exigências que decerto foram denunciadas ao curso do resultado da colheita.

Muitos anos antes (falam em milhares de anos), “Eclesiastes, filho de Davi, que foi rei de Israel em Jerusalém” (Ecles 1,1), prevenia que:

“Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento... tempo para arrancar o que foi plantado e tempo para plantar.” (Ecles 3,2)

Tais advertências, penso eu, podem ter inspirado o vate português no prefácio de seus madrigais, sob cuja mercê o admiramos em nossos dias.

Estamos arroteando o terreno nos campos da educação. O II PNE já se exauriu, deixando muito a desejar em seus resultados (segundo se propala), porém, mesmo assim, sua vigência foi prorrogada até dezembro deste ano. Tramita no Congresso, e espera a apreciação do povo, projeto atinente ao Plano Nacional de Educação, para uma vigência decenal.

“A educação é um direito de todos para a formação da cidadania e do profissional para o trabalho, sob a responsabilidade do Estado e da Família.” (Art. 205 da CF)

A contribuição de Tania Zagury

Nessa quadra da vida brasileira, a professora Tania Zagury presta uma valiosíssima contribuição, publicando o livro Educando filhos para um futuro sem empregos (Editora Best Seller Ltda, Rio, 2025).

Professora Tania Zagury

Com a competência de pesquisadora e exímia professora, faz um diagnóstico preciso de como se encontra a educação no Brasil. E oferece sua contribuição neste momento em que arroteia-se o terreno para novas semeaduras.

De sua observação:

“E o que se vê hoje em salas de aula? Desmando, indisciplina e, por parte dos docentes, desespero muitas vezes e a quase total impossibilidade de alcançar resultados positivos. Uma tristeza.” (p. 16)

E clama:

“É preciso agir logo, sem perder mais um minuto, porque a situação educacional no Brasil continua muito, mas muito aquém do mínimo necessário.”

E saca um exemplo:

“Um em cada cinco jovens entre 15 e 29 anos no Brasil não estuda nem trabalha, o que representa 22,3% ou algo em torno de 10,9 milhões de jovens dessa faixa etária.” (p. 137)

Ela não citou dados do PISA, poupando-nos do desgosto de conhecer o grau de inferioridade em que se encontram os jovens brasileiros, quando comparados a seus coetâneos do resto do mundo.

Leituras complementares

Pais e educadores devemos ler e reler o livro da professora Tania Zagury. Porém, não devemos esquecer também de A chegada dos robôs, publicado no Brasil pela Madras Editora Ltda, em 2017.

Nessa obra de atualíssimo proveito, o autor John Pugliano, que tem mestrado em Gestão de Sistemas pela University of Southern California, oferece “um guia de sobrevivência para os seres humanos se beneficiarem na era da automação” — conhecimento do qual muito precisamos nos tempos atuais.

O papel da Maçonaria

Nós, maçons, estamos engajados nos movimentos de progresso e evolução da humanidade, sendo eles causa de bem-estar e felicidade, pois:

“Tanto mais adiantado for o homem, quanto mais pode haurir dos segredos da natureza e empregar suas descobertas em benefício de todos.
(Ritual do Aprendiz Maçom, REAA, GOMDF, 2023)

Conclusão

Se realmente há um tempo para cada coisa, é de boa geometria observar que estamos na oportunidade de novas semeaduras

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