Peter Sellers: O Mestre da Comicidade e Irmão Maçom


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Da Redação

Há cem anos, em 8 de setembro de 1925, nascia em Portsmouth, no sul da Inglaterra, Richard Henry Sellers, imortalizado pelo nome artístico Peter Sellers. Ator, comediante, músico e maçom, ele redefiniu a arte da comicidade no século XX, tornando-se capaz de transformar uma simples gargalhada em momento de reflexão e introspecção. Sua versatilidade e genialidade o consagraram como um dos maiores intérpretes da história do cinema.

Da música ao palco

Filho de artistas, cresceu em um ambiente onde a arte era parte do cotidiano. Ainda jovem, desenvolveu talento para a música e para a atuação, chegando a tocar banjo, ukulele e bateria em bandas de jazz. Atuou também no famoso Windmill Theatre, em Londres, local de formação para muitos artistas da época.

Durante a Segunda Guerra Mundial, alistou-se na Royal Air Force. Lá, entre exercícios e disciplina militar, descobriu seu dom para a comicidade, imitando superiores e criando personagens improvisados. Essa experiência moldou seu talento para o transformismo, marca registrada de toda a sua carreira.


O sucesso no rádio

Entre 1951 e 1960, Sellers brilhou no célebre programa radiofônico The Goon Show, ao lado de Spike Milligan, Harry Secombe e Michael Bentine. Sua capacidade de criar vozes e personagens distintos encantou milhões de ouvintes. O show, que começou com 370 mil ouvintes, alcançou mais de sete milhões, tornando-se um fenômeno cultural e revelando ao mundo o talento camaleônico de Sellers.

A consagração no cinema

A estreia no cinema ocorreu nos anos 1950, com destaque em A Senhorita Omicidi (1955) e A Milionária (1960), com Sophia Loren. Mas foi em 1964, sob a direção de Stanley Kubrick, que atingiu o auge: em Doutor Fantástico (Dr. Strangelove), Sellers interpretou três personagens distintos, demonstrando uma capacidade dramática e cômica sem precedentes.

Entretanto, o papel que o eternizou no imaginário popular foi o do desastrado Inspetor Jacques Clouseau, na série A Pantera Cor-de-Rosa, dirigida por Blake Edwards. A mistura de humor físico, ironia e ingenuidade fez de Clouseau uma das maiores criações do cinema cômico.

Outros trabalhos memoráveis incluem Casino Royale (1967), Hollywood Party (1968) e Muito Além do Jardim (1979), no qual interpretou o jardineiro Chance, papel que lhe rendeu aclamação crítica e uma das atuações mais emocionantes de sua carreira.


A vida pessoal e suas contradições

Sellers foi casado quatro vezes e manteve relacionamentos intensos, inclusive com Britt Ekland e Liza Minnelli. Apesar da fama, vivia assombrado por inseguranças, declarando em entrevistas que nunca se sentia plenamente satisfeito consigo mesmo. Essa dualidade entre o artista brilhante e o homem vulnerável acrescenta uma dimensão trágica à sua biografia.

O maçom Peter Sellers

No dia 16 de julho de 1948, Peter Sellers foi iniciado na Chelsea Lodge nº 3098, em Londres, oficina ligada à Grande Loja Unida da Inglaterra. Essa loja, fundada em 1905, reunia artistas, músicos e comediantes, tornando-se um espaço de encontro entre criatividade e valores maçônicos.

Sellers completou seus graus maçônicos em 1949 e 1951, e ali encontrou um ambiente onde sua arte dialogava com a disciplina, a fraternidade e a espiritualidade. A Chelsea Lodge permanece até hoje um ícone da união entre espetáculo e Maçonaria, tendo acolhido mais de mil membros ao longo de sua história.

Os últimos anos

Problemas de saúde e crises pessoais marcaram sua trajetória final. Sofreu vários infartos ao longo da vida, mas continuou atuando até sua morte, em 24 de julho de 1980, aos 54 anos, em Londres. Seu funeral, realizado no Golders Green Crematorium, teve como último gesto irônico a execução de In the Mood, de Glenn Miller – música alegre e “maravilhosamente inapropriada”, como ele mesmo dizia, para um adeus.

O legado de um gênio

Peter Sellers permanece como um símbolo da comicidade inteligente e da arte transformadora. Sua capacidade de criar personagens únicos, transitando entre o riso e a melancolia, influenciou gerações de atores e comediantes.

Mais do que o Inspetor Clouseau ou o Doutor Fantástico, Sellers foi um artista completo: músico, imitador, ator dramático e gênio da comédia. Como maçom, deixou também o testemunho de que a criatividade pode caminhar lado a lado com os valores universais de fraternidade e introspecção.

Cem anos após seu nascimento, Peter Sellers continua vivo na memória do cinema, lembrado como o homem que transformou o riso em arte e a arte em imortalidade.

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