Como Gotas de Água: A Ação Silenciosa e Transformadora do Maçom
Da Redação
A imagem das gotas de água que, pacientemente,
escavam a pedra calcária de uma caverna é uma das metáforas mais eloquentes
para compreender o papel do maçom no mundo. Isoladamente, cada gota parece
frágil, quase insignificante. No entanto, pela constância e pela repetição, ela
cria primeiro uma pequena marca no chão da caverna, depois um sulco, em seguida
um canal, até que, ao longo do tempo, surge um rio subterrâneo capaz de alisar
a rocha e encontrar seu caminho até o mar aberto da grande vida.
Assim também somos nós, maçons. Somos chamados
a ser essas gotas perseverantes, que atuam silenciosamente, mas de forma
contínua, moldando a si mesmas e ao ambiente ao redor. Juntos, formamos um
grande corpo de água que flui em direção ao oceano da sabedoria. Nesse oceano
simbólico, navegamos munidos do esquadro e do compasso, nossos talismãs morais
e espirituais, como bons marinheiros animados pelo desejo de descobrir novas
terras de verdade, conhecimento e realização interior.
Dante, em sua profunda visão espiritual,
escreveu: “Sou feito por Deus,
graças a Ele, de tal modo que a vossa miséria não me toca, nem a chama deste
incêndio me assalta.” Essa afirmação ecoa no espírito maçônico como
um chamado à consciência da própria dignidade e responsabilidade. Não se trata
de indiferença ao sofrimento alheio, mas da força interior que permite
atravessar as provações sem se deixar consumir por elas, mantendo-se firme no
propósito maior.
Avançar com essa consciência significa
reconhecer que podemos ser agentes reais de transformação social. Sabemos que a
mudança não ocorre de forma abrupta ou ruidosa, mas pelo trabalho constante,
disciplinado e consciente. Cada ação individual, por menor que pareça,
contribui para a ampliação desse oceano de vida, onde valores como justiça,
tolerância e fraternidade podem se difundir.
Esse caminho é exercitado continuamente nas
lojas maçônicas. Ali, deliberadamente, não se discutem política ou religião,
pois tais temas, muitas vezes, tornam-se barreiras rígidas que impedem o
contato direto com a “pedra calcária” que devemos trabalhar. Em vez disso,
cultivamos um espaço onde a paciência, o silêncio reflexivo e o aperfeiçoamento
moral permitem que, pouco a pouco, avancemos em nossa vocação mais elevada. Não
golpeamos a pedra com violência; nós a desgastamos com constância e intenção.
Nessas circunstâncias, não basta esperar. É
preciso agir. Todo homem é chamado a ser protagonista na comunidade em que
vive, assumindo sua responsabilidade ética e social. O maçom aprende a “estar
no jogo e jogar o jogo”, ou seja, a participar ativamente da vida coletiva, com
coragem de ideias e compromisso com o bem comum.
Ainda assim, essa participação não deve nos
fazer esquecer nossa verdadeira natureza simbólica: somos gotas modestas que se
unem no subterrâneo, longe dos aplausos, mas essenciais para o fluxo que, um
dia, alcançará a superfície. É nessa união silenciosa, persistente e fraterna
que reside a força da Maçonaria e a esperança de uma humanidade mais consciente
e harmoniosa.

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