Na Maçonaria, o Maior Poder Não é Ter Um Título, é Ter Uma Consciência.
Da Redação
Há
irmãos que entram na Loja como se estivessem lançando uma campanha eleitoral:
um olhar de estrategista, um sorriso superficial, um aperto de mão calculado e
aquele brilho no olhar que diz: “Veremos qual é a minha posição…” Más
notícias: a Loja não é uma sala de reuniões. E pior ainda: a Maçonaria não é um
lugar onde se “toma o poder”. É um lugar onde se tem — na melhor das hipóteses
— um despertar brutal.
Não
importa o quanto você se sinta no Oriente, use um cordão mais chamativo,
pronuncie três palavras solenes e fale em tom moderado… o malhete não concede
superpoderes. Não transforma um ego em sábio. Transforma, principalmente, um
ego em… um ego com um malhete. E o ego com um malhete é uma espécie barulhenta:
é audível, é perceptível e cansa a todos.
A
grande ilusão é confundir cargo com coroa. Na Maçonaria, um cargo deveria ser
um serviço. Mas alguns o veem como uma promoção, uma vingança ou uma
consagração. Eles querem “sua” plataforma, “seu” momento, “seu” mandato. Falam
da Loja como se fosse seu território: “Aqui, fazemos as coisas assim”.
Não. Aqui, é o ritual. E o ritual não pertence a você.
Assim
que a Loja começa a se envolver em intrigas internas, os sintomas se tornam
reconhecíveis: os corredores ficam mais barulhentos que o templo, os sorrisos
se dividem em facções, as frases começam com “Estou dizendo isso para o bem
da Loja” e terminam com “De qualquer forma, fulano de tal…”. O
resultado: cicatrizes. Por quê? Por uma posição que, sem comprometimento, não
vale mais do que um malhete de plástico.
Porque
eis aqui a frase que enlouquece os controladores: na Maçonaria, ninguém pode
coagir uma consciência. Você pode “decidir” o quanto quiser: se sua decisão não
for convincente, ela não se sustenta. Se não unir, ela se dissolve. Se não
respeitar o espírito, torna-se um incidente. O poder maçônico é, portanto, um
tipo muito particular de poder: ele só existe na medida em que é aceito.
Em
outras palavras, o líder que pensa que está “no comando” descobre rapidamente
que é apenas… um irmão entre irmãos. E, às vezes, isso dói.
No
mundo secular, você é aplaudido inicialmente, recebe um período de tolerância
de “cem dias” e as pessoas fingem acreditar em você. Na Loja maçônica, se você
confundir instalação com consagração, sofrerá as consequências: não há
legitimidade automática. A Loja o julga por uma coisa simples: sua integridade.
E o faz reunião por reunião, medida por medida, decisão por decisão. O resto —
rumores, elogios e críticas antecipadas — é apenas espuma.
A
única força duradoura na Loja é a consistência, o autocontrole, a escuta, a
coragem de acalmar em vez de inflamar e o exemplo silencioso. Em resumo:
persuasão. Não o tipo de persuasão que manipula, mas o tipo que eleva — aquele
que faz as pessoas dizerem “sim” porque é o certo, não porque é prescrito.
E
isso não se conquista por meio de um título, uma faixa ou uma rede de contatos.
Conquista-se pelo ser.
Sim,
existem obrigações, regras e decoro. Mas, se você vem à Loja para “subir na
hierarquia”, deu o passo errado. Aqui, o verdadeiro prestígio não está em estar
no centro; está em não querer mais estar lá. A Maçonaria não concede poder; ela
dissipa ilusões. E aqueles que se apegam a ilusões quase sempre acabam da mesma
forma: com um título… e ninguém por trás dele.
Texto inspirado em reflexão de Irmão Rui Bandeira

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