Que Haja Harmonia: A Mesa Maçônica



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Por Andrew Hammer

“Tudo o que fizeres, tudo o que comeres, tudo o que ofereceres em sacrifício, tudo o que deres em caridade, todas as austeridades que praticares, tudo o que fizeres, faze-o como uma oferta a Mim.”

Bhagavad-Gita 9: 27

A convivência à mesa e a Maçonaria são inseparáveis. Historicamente, o banquete maçônico é uma parte essencial de qualquer reunião de irmãos, a ponto de um dos motivos declarados para a convocação de uma “Grande Loja” em Londres, em 1717, ter sido restaurar o banquete solsticial realizado em nome de um santo cristão adotado. E, na Escócia, pouco mais de cem anos antes, três dos treze pontos do Segundo Estatuto de Schaw, de 1599, tratam dos banquetes realizados para aprendizes e companheiros de ofício.

Ao fazer tal afirmação, certamente não se pretende sugerir que o ato de comer seja mais importante do que o ritual ou a filosofia da Arte. Muito pelo contrário: a antiga convivência maçônica à mesa estava entrelaçada com ambos. Assim, o objetivo deste texto não é revisitar uma história que pode ser lida com maior profundidade em outros lugares, mas examinar a maneira pela qual a refeição maçônica deve ocorrer.

Em outras palavras, não estamos discutindo se ou quando se deve comer, mas, mais importante ainda, como fazê-lo. A forma como nos sentamos à mesa fala sobre quem somos e, assim como todas as nossas outras ações, demonstra quem buscamos ser enquanto maçons. Em termos simples, a maneira como nos alimentamos juntos deve ser tão consciente quanto tudo o mais que fazemos quando nos reunimos como artífices.

Em meu livro Observing the Craft, publicado em 2010, descrevi essas ideias de forma conceitual no capítulo intitulado The Festive Board. Este documento revisitará brevemente algumas dessas ideias, com o objetivo de fornecer uma noção mais específica de como criar uma experiência de refeição maçônica, além de abordar a questão de como devemos chamar adequadamente tal prática. Nesse ponto, oferecerei um termo diferente; portanto, aqui não peço apenas que vocês reconsiderem suas ideias, mas também que eu próprio reconsidere as minhas.

Não é apenas “jantar”

Para muitos maçons que lerem isto, a necessidade de chamar a atenção para a refeição maçônica pode parecer um pouco estranha. Isso ocorre porque, no mundo da Maçonaria fora dos Estados Unidos, a refeição maçônica formal é tão comum quanto o esquadro e o compasso — e sempre foi assim. No entanto, nos Estados Unidos, essa prática caiu em desuso de forma tão perceptível que quase todo documento que a menciona nos últimos cem anos lamenta o fato de ela estar praticamente abandonada.

Isso não significa que a culpa deva ser atribuída a alguém por esse afastamento. Muitos irmãos simplesmente nunca aprenderam que a refeição após uma sessão maçônica deveria ser algo além de um jantar simples e informal. Mas, antes do século XX, era tão comum para as Lojas americanas praticarem alguma forma de refeição cerimonial ao final de suas reuniões quanto se encontra em qualquer outra parte do mundo. E isso sempre foi pensado como algo mais do que apenas “jantar”.

A experiência da refeição maçônica destina-se, na verdade, a ser uma segunda reunião de Loja, na qual aquilo que não fazemos na primeira é permitido na segunda — naturalmente, dentro dos limites de nossas obrigações. Assim como na respiração contrastamos a inspiração com a expiração, e ambas se complementam de maneira natural, o mesmo orgulho que temos na solenidade da reunião ritual pode transformar-se na alegria refletida do banquete fraternal.

O evento possui um ritual, bem como sua própria etiqueta, porque tem significado. Assim como em todas as outras coisas, os maçons desenvolveram uma forma própria de proceder à mesa, que deve ser observada. Caso contrário, poder-se-ia simplesmente fazer um jantar com um grupo de amigos. Maçons são pessoas que refletem sobre o que fazem e por quê; é natural, portanto, que isso se aplique tanto à mesa quanto ao templo.

A forma dessa segunda reunião é um arranjo de mesas em formato de U, com o Mestre na cabeceira, ou no que seria a base do U. Os Vigilantes sentam-se nas extremidades das mesas, no topo do U. O Mestre costuma ser acompanhado à mesa principal por seus convidados ou por quaisquer dignitários maçônicos presentes naquela noite, a seu critério.

Há uma razão para esse arranjo específico. Nas Lojas operativas — e ainda hoje em algumas Lojas ao redor do mundo — ambos os Vigilantes são colocados no Ocidente, sentados nas extremidades dos irmãos de cada lado da Loja, e não da forma como os encontramos na maioria das Lojas atuais. Se considerarmos que cada Vigilante é responsável por sua área da Loja, podemos perceber como o arranjo das mesas, com um Vigilante em cada extremidade, evoca essa disposição mais antiga, na qual cada Vigilante era responsável por sua coluna de irmãos. A sala de jantar, portanto, é organizada à semelhança de uma Loja, ainda que não reproduza exatamente a forma de nossas Lojas. Há também algo a ser dito sobre o senso de conexão fraterna transmitido por um assento contínuo dos irmãos, em oposição a ilhas de mesas redondas espalhadas pelo recinto.

 

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