Realmente Ainda Vale a Pena Ser Maçom? Reflexões de um Eterno Sonhado
No
Oriente Eterno, sob o céu de estrelas fixas, onde o Compasso traça círculos de
mistério, pergunto ao eco das colunas B e J, no átrio da entrada do Templo:
“Realmente ainda vale a pena ser Maçom?”
O
mundo gira em turbilhões de luzes falsas: telas que hipnotizam, ouro que
escorre como areia, homens acorrentados a correntes invisíveis, vendendo a alma
por likes, relacionamentos virtuais e efêmeros, cheios de promessas
vazias.
E
a Loja? Ainda pulsa com o malhete do Venerável em sua condução? Ou tornou-se
uma relíquia empoeirada, esquecida no porão do tempo?
Lembro-me
do primeiro toque da Espada da Justiça, fria contra o peito nu, colocada pelo
Irmão Sacrificador, quando adentrei o Templo e firmei a promessa de retificar
as arestas espiculadas de minhas intolerâncias; de lapidar a pedra tosca e
bruta que sou, transformando-a em pedra polida e perfeita.
Mas
e hoje? Nas ruas de nossas cidades ainda nos deparamos com Irmãos de corações
ávidos e sequiosos de ações que só víamos no passado longínquo? Vemos muitos
deles desanimados, dizendo que o suor do trabalho maçônico está minguando em
contratos frágeis, num desfilar de arrogância sob uma falsidade de ações vãs e
efêmeras — os famosos pombos de avental.
Eles
ostentam suas alfaias brilhantes e reluzentes, que falsamente ornamentam um
suposto realizador de benefícios à humanidade. Na realidade, apenas tornam
expoentes suas frívolas vaidades pessoais.
Surge,
então, a pergunta que é objeto deste ensaio:
Vale
ainda a pena usar o avental branco de eternos Aprendizes como sinal de
reconhecimento?
Hoje
vemos muitos profanos — inclusive alguns de avental — zombando:
“A Maçonaria tornou-se uma sociedade discreta de
velhos, paquidérmicos, neolíticos, que vivem sonhando com uma Ordem
institucional que não mais existe.”
Riem
das luvas brancas, dos rituais e dos ritos praticados. Ignoram que o segredo
não é conspiração, mas o silêncio sagrado da alma em construção.
Na
Câmara de Reflexão, o crânio nos encara, lembrando a finitude: pó ao pó, luz à
luz. Ser Maçom é morrer para renascer; passar pelo túmulo simbólico rumo ao
Templo Interior. Vale a pena quando o mundo grita egoísmo e nós, Irmãos,
tecemos a corrente de união.
No
Grau de Aprendiz, aprendemos, na humildade, a medir o esquadro da virtude
contra o compasso do desejo. No Grau de Companheiro, o esquadro da razão corta
excessos; e, no Grau de Mestre, o Delta luminoso ilumina o abismo.
Mas
e se a Loja se transforma em clube social, em festas vazias, sem o fogo do
simbolismo? Pergunto aos amados e verdadeiros Irmãos:
Hiram
ainda vive realmente em nós?
O
Mestre assassinado, que não traiu o segredo, ensina que a fidelidade é mais que
palavras. Vale a pena resistir à apostasia moderna, quando Templos caem e
Irmãos se perdem na escuridão?
Aqui
aparece o lado do sonhador que sempre fui e sempre serei:
Sim,
vale!
Porque
a Maçonaria não é relíquia; é chama perene no coração do buscador. No silêncio
da meditação, sob o olhar do Supremo Arquiteto dos Mundos, encontro a resposta:
ser Maçom é ser livre.
Livre
das paixões baixas, das vaidades tolas; construtor de pontes entre o visível e
o invisível. Vale a pena erguer o Templo da Humanidade, pedra por pedra, com
mãos calejadas de amor.
No
Brasil das desigualdades e dos sonhos partidos, a Maçonaria clama:
“Luz, mais luz!”
E
se o mundo profano duvida, que duvide. Nós marchamos ao ritmo do malhete
eterno, vestindo o avental da pureza e o colar da sabedoria — não como alfaias,
mas como expressão de um coração sensível ao bem que habita o peito do
verdadeiro iniciado.
Realmente
vale a pena?
Pergunte
ao seu coração. Se ele pulsa com o anseio pela Verdade Absoluta, então sim,
Irmão: a Loja te espera, aberta. Na sua Loja e em todas as outras, onde o
espírito ascende no eterno caminho da evolução pessoal.
Seja
Maçom. Lapide-se. Ilumine-se.
Porque,
no fim, o que vale é a Obra Interna: o Templo que ninguém destrói — você mesmo.
Nos
dias atuais, vemos neste orbe terrestre o caos aparente de sombras dançantes.
Mas isso é apenas a tela para o Grande Arquiteto traçar Sua sinfonia. A
Maçonaria é o farol que desperta o sonâmbulo.
Nas
Lojas vivas, o malhete pulsa como um coração cósmico, chamando almas para o
Grande Trabalho eterno.
Concluindo:
ainda vale, sim, realmente a pena ser Maçom — para aqueles que entronizaram em
seus corações a verdadeira Luz que vem do Alto. Quanto aos curiosos,
aventureiros, néscios, oportunistas e vazios de iluminação interior, certamente
não. Para esses, jamais valerá a pena, pois nunca foram realmente dignos de
serem reconhecidos como tal.
Bibliografia
Vale
a Pena Ser Maçom – Carl Sagan
A
Ordem sobre o Caos – Kennyo Ismail
Eu,
Minhas Lutas Internas e Deus – Estela Costa
Ser
Maçom: Uma Introdução Filosófica à Vida Maçônica – Luiz Gonzaga da Rocha
Caderno
de Pesquisas – A Trolha: Motivação e Comprometimento do Maçom

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