A Presença do Tetragrama Hebraico no Simbolismo do R.’.E.’.A.’.A.’. (I)
Ir.’. José Ronaldo Viega Alves
INTRODUÇÃO
Na Maçonaria, particularmente no R.’.E.’.A.’.A.’., à medida que vamos progredindo, a começar pelos Graus simbólicos e depois nos Graus filosóficos, veremos que existem diversas formas de representação, assim como muitas correspondências e influências em torno deste símbolo que é o Tetragrama.
Antes de iniciarmos propriamente o estudo desse importante símbolo, convém acenar com aquele “aviso aos navegantes” do clássico A Simbólica Maçônica, de Jules Boucher:
“Os estudos sobre o Tetragrama sagrado são muitos e variados e, é preciso dizê-lo, muito confusos; não podemos examiná-los aqui.” (Boucher, 2009, p. 108)
Nos tempos atuais, navegando na Internet — essa biblioteca infinita — percebemos uma exorbitância de informações, muitas delas confusas. Portanto, diante desse horizonte, a pesquisa deve ser conduzida com cautela.
O Tetragrammaton (do grego, “quatro letras”) é o nome sagrado de Deus no hebraico bíblico, composto pelas consoantes YHVH. Na tradição judaica, o nome era considerado inefável, recebendo nomes substitutos ao longo da história.
Na Maçonaria, sobretudo no R.’.E.’.A.’.A.’., o Tetragrammaton é símbolo crucial, conectando o Maçom a conceitos divinos à medida que progride nos Graus.
Deus é reverenciado como Grande Arquiteto do Universo (G.’.A.’.D.’.U.’.), expressão universal que permite a convivência de Maçons de diversas religiões.
O TETRAGRAMA E SUA ORIGEM HEBRAICA
O Dicionário Judaico de Lendas e Tradições descreve:
“Tetragrama (em hebraico ‘Shem Ha-meforash’) é o nome de Deus com quatro letras; atualmente, nunca é pronunciado... De todos os nomes de Deus, só o Tetragrama é considerado um nome verdadeiro...” (Unterman, 1992, p. 262)
Segundo os cabalistas, Deus dá vida ao mundo inteiro através do Tetragrama, cujo poder espiritual e simbólico é profundo.
AS ORIGENS DO TETRAGRAMA NA MAÇONARIA
O Tetragrama configurou-se no simbolismo maçônico com o desenvolvimento dos Altos Graus no século XVIII, especialmente no Rito Escocês Antigo e Aceito e no Arco Real.
A Maçonaria exige a crença em um Princípio Criador. O Landmark XIX afirma:
“A crença no Grande Arquiteto do Universo é um dos mais importantes Landmarks da Ordem.”
No Ritual do Aprendiz, o símbolo aparece na Quinta Instrução, quando o Venerável Mestre pergunta:
“Ir.’. Orad.’., que letra se vê no centro do Delta?”
A resposta:
“No centro do Delta está a letra IOD, inicial do Tetragrama... símbolo da Grande Evolução.”
O DELTA, O IOD E O TETRAGRAMA NA QUINTA INSTRUÇÃO
José Castellani descreve o Delta Luminoso no Templo Maçônico:
“No interior do Delta pode haver o Olho Onividente ou o nome hebraico de Deus...”
O Ritual do Aprendiz complementa:
“Acima da cabeça do Venerável Mestre, fica o Triângulo Fulgurante... Pendendo da franja do dossel, a letra hebreia Iod.”
COMENTÁRIOS
- O Delta pode apresentar o Olho Onividente ou o Tetragrama.
- A letra IOD é a inicial do nome de Deus.
- O Olho simboliza a vigilância divina.
- O Tetragrama será aprofundado nos Graus Superiores.
Para o Maçom, a leitura complementar é fundamental além do Ritual.
CONTINUA...
NOTAS
1. YHVH: Representa o nome de quatro letras do Deus de Israel, com diversas transliterações: YHWH, YHVH, JHWH, JHVH, entre outras.
2. Arco Real: Ordem evolutiva da Maçonaria, considerada o clímax da Maçonaria Antiga, com origem no século XVIII.
3. Landmarks: Princípios fundamentais da Ordem, sendo os 25 de Albert Mackey os mais adotados no Brasil.

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