O Caso do “Gostar Fraternal”: Um Caminho Necessário para o Amor Fraternal na Maçonaria
Baseado no ensaio de Bryan R. Musicar
Introdução
Na Maçonaria, proclamamos com orgulho os três grandes pilares que sustentam a Ordem: Amor Fraternal, Socorro e Verdade. Entre eles, o Amor Fraternal ocupa lugar de destaque, simbolizando união, compaixão e respeito mútuo entre os Irmãos, unidos por um laço simbólico e espiritual na busca comum pela Luz.
Entretanto, existe uma verdade humana frequentemente ignorada: antes de amar fraternalmente, é preciso gostar fraternalmente. O amor não nasce por decreto ritualístico, mas pela convivência genuína.
1. A Distância entre a Obrigação e o Afeto
O juramento maçônico é poderoso, vinculando-nos a princípios éticos, ao auxílio mútuo e ao apoio moral. Contudo, obrigação não é sinônimo de afeição. Dois homens podem jurar fidelidade e ainda assim não se sentirem conectados.
Podem frequentar a mesma Loja por décadas sem jamais estabelecer uma conversa profunda. Isso não é falha da Maçonaria, mas da natureza humana. O ritual abre a porta; o relacionamento é quem atravessa o limiar.
Quantas Lojas foram divididas por tensões silenciosas? Quantos novos Irmãos buscaram fraternidade e encontraram frieza? Esses não são fracassos doutrinários, mas falhas de conexão humana.
2. A Simpatia como Virtude Maçônica
Muitas Lojas presumem que, por sermos Maçons, automaticamente nos daremos bem. Porém, conviver exige esforço. Ser agradável não é um direito; é uma virtude cultivada.
O que torna um Irmão agradável? Sinceridade, humildade, capacidade de ouvir sem julgar, disposição para servir sem buscar elogios, gentileza e interesse genuíno pelo outro.
Essas são as habilidades invisíveis da fraternidade. Transformam a Loja de um espaço ritualístico em um verdadeiro santuário de respeito mútuo.
3. Do Gostar ao Confiar, e do Confiar ao Amar
A confiança é a ponte entre gostar e amar. Ela nasce da constância, da experiência compartilhada e da segurança emocional.
Na Loja, isso significa estar presente emocionalmente, guardar confidências, evitar fofocas e defender a honra de um Irmão em sua ausência.
Não há atalhos. Não se pode pular a Pedra Bruta e assumir imediatamente a Pedra Polida. Quando os homens se sentem aceitos, abrem-se; quando confiam, amam.
4. O Preço de Ignorar o “Gostar Fraternal”
Lojas que ignoram a convivência humana tornam-se burocracias frias. As reuniões viram formalidades, a harmonia vira silêncio imposto e os conflitos transformam-se em ressentimentos.
O Amor Fraternal, nessas condições, torna-se apenas um slogan na parede, desconectado da experiência vivida.
5. Passos Práticos para Cultivar o “Gostar Fraternal”
- Criar espaços de convivência: tempo para diálogo, refeições e confraternização.
- Praticar hospitalidade: acolher novos Irmãos com mentores calorosos.
- Incentivar a vulnerabilidade: diálogos sobre experiências e valores pessoais.
- Cuidar da postura pessoal: ser acessível, ouvir mais e corrigir em particular.
- Celebrar os Irmãos: reconhecer aniversários e conquistas.
- Ser curioso, não crítico: ouvir com humildade e desejo de aprender.
6. Da Obrigação ao Relacionamento
É fácil falar de Amor Fraternal em preces e instruções. Difícil é vivê-lo. Ele não nasce por decreto, mas é construído pacientemente por meio do Gostar Fraternal.
Quando os homens gostam uns dos outros, permanecem, servem, crescem e recomendam a Ordem não por obrigação, mas porque encontraram algo real.
Que não sejamos Irmãos apenas de nome, mas amigos em essência. Porque o Amor Fraternal não é apenas um dever: é uma conquista do coração.

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